quinta-feira, 25 de junho de 2015

Eu própria, eu mesma, obrigada








 




               Eu própria, eu mesma, obrigada


   Renata disse: Eu própria pintei esse quadro.
   João Pedro argumentou que ele mesmo fizera o trabalho.

   Elas disseram: Nós próprias pintamos esses quadro.
   Os alunos argumentaram que eles mesmos fizeram os trabalhos.

   A própria Cecília fez uma doação para a igreja.
   Gabriel, ele mesmo, dirigiu o carro na estrada.

   Ficou claro?

   Língua falada e língua escrita não são iguais, mas, mesmo no calor de uma discussão em uma novela, fica esquisito a personagem usar inadequadamente esses pronomes.

   Fenômeno parecido acontece com:

   Renata disse: Obrigada a todos pelo carinho.
   João Pedro sussurrou: Obrigado a todos pela homenagem...

   Concluindo:

   Mulher diz obrigada, eu mesma, eu própria.

   Homem diz obrigado, eu mesmo, eu próprio.

   Por hoje é só.

   Fiquem com a grande Adélia Prado.

   Obrigada a todos que me acompanham no blog...

   Até breve!

terça-feira, 9 de junho de 2015

Bem e mal bom e mau





 




                BEM E MAL    BOM E MAU



Como acertar sempre?
Difícil, não? Fácil!

Bem é advérbio e é o contrário de mal.

Bom é adjetivo e é o contrário de mau.

Recebi uma carta bem-escrita.

Por que bem? Porque escrita é adjetivo, e bem - advérbio - está modificando o adjetivo escrita.
Não esqueça: o advérbio é invariável.

carta bem-escrita
cartas bem-escritas
artigo bem-escrito
artigos bem-escritos

O bom menino faz as tarefas sem a mãe mandar.

Por que bom? Porque menino é substantivo, e bom - adjetivo - está dando uma qualidade ao substantivo menino.
Não esqueça: o adjetivo é variável, concorda com o substantivo.

A boa menina arruma suas coisas.
As boas meninas arrumam suas coisas.
Os bons meninos fazem a tarefa sem a mãe mandar.

Mal é advérbio e é o contrário de bem.

Uma notícia mal-escrita deixa o leitor em dúvida.

Por que mal? Porque escrita é adjetivo, e mal - advérbio - está modificando o adjetivo escrita.
Não esqueça: o advérbio é invariável.

mal-escrito
mal-escritas
mal escritos

O mau menino agride os colegas.

Por que mau? Porque menino é substantivo, e mau - adjetivo - está dando uma qualidade ao substantivo menino.
Não esqueça: o adjetivo é variável, concorda com o substantivo.

A aluna não obedece aos professores.
As más alunas não obedecem aos professores.
Os maus meninos agridem os colegas.

Então... Tudo certinho? Ficou claro?
Espero que sim!

Até breve!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Use sempre no singular








 
 



                
                USE SEMPRE NO SINGULAR



   O verbo HAVER é impessoal e deve ficar sempre na 3ª pessoa do singular quando significa:

   Existir:

   Não houve aula ontem porque quase todos os alunos faltaram.

   Ocorrer, acontecer:

   Durante a viagem, houve momentos muito bons.

   Fazer (quando indica tempo passado):

   Há muitos meses ele se mudou daqui.

   Ainda, o verbo HAVER quando significa ocorrer, acompanhado por verbos auxiliares, estes também ficam impessoais:

   Pode haver aulas de português no sábado.
   Poderá haver grandes catástrofes se o homem continuar desrespeitando o planeta.
   Deve haver explicações para o comportamento insano de certas pessoas.
   Tinha havido pareceres contra a nova lei.
   Está havendo cortes de energia em várias cidades do país.

   O assunto me ocorreu porque vejo as pessoas ficarem na dúvida quanto a esse emprego do verbo HAVER.
   Na verdade, não pode haver dúvidas, ele fica sempre no SINGULAR.

   Por hoje é só.

   Até breve!

quarta-feira, 27 de maio de 2015

EXPANSÃO E PERSUASÃO










 
universo em expansão






                        expansão e persuasão

   O universo está em expansão.
         expandir - expansão

   Aquele cientista tem um grande poder de persuasão.
        persuadir - persuasão

   Não se esqueça, buscando o verbo, escrevemos corretamente seus derivados.

   Só isso após essas longas férias...

   Até breve!

quarta-feira, 25 de março de 2015

A língua












                                 A língua

   Permitam-me oferecer neste espaço um texto para reflexão...

                         A melhor e a pior coisa do mundo

    Esopo era um escravo de muita inteligência de um conhecido chefe militar da Grécia.
   Certo dia em que seu patrão conversava com um amigo sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu:
- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.
- Como? - perguntou o amo. - Tens certeza do que estás falando?      Como podes afirmar tal coisa?
- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.
   Com a autorização do amo, saiu e, dali a alguns minutos, voltou carregando um pequeno embrulho.
   Ao abrir o pacote, o chefe encontrou pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se.
- Meu amo, não vos enganei! A língua é realmente a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua, os ensinamentos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas verdades?
- Muito bem, meu caro, retrucou o amigo do amo. Já que és desembaraçado, que tal trazeres agora  o pior vício do mundo?
- É perfeitamente possível, senhor. Irei ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda a terra.
   Esopo saiu e, dali a minutos, voltou com outro pacote semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua. Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram surpreendente resposta:
- Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. As verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através dela estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo?
   Impressionados com a inteligência do serviçal, ambos calaram-se comovidos, e seu chefe, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.
   Esopo aceitou-a e tornou-se um contador de fábulas conhecidas até hoje em todo o mundo.
 
   O poder da língua é incrível, não é mesmo? Por isso mesmo devemos usá-la bem em todos os sentidos, gramaticalmente também.
   Espero que tenham gostado!
   Até breve.

sábado, 21 de março de 2015

Redundância




                            Há seis meses atrás. X
                         Há seis meses. C
                         Seis meses atrás. C
                         Faz seis meses. C



                              Redundância


   O que é redundância?

   Redundância ou informação desnecessária é repetir, numa frase, uma ideia já contida num termo anterior.

   Assim:

   Dividiu o pão em metades iguais.
   (metades são iguais)

   O réu encarou de frente as acusações.
   (só é possível encarar de frente)

   Tomou canja de galinha.
   (só existe canja de galinha)

   O fabricante exportou sua produção para fora.
   (exportar só pode ser para fora)

   Amanheceu o dia, e ele não chegou.
   (só amanhece de dia)

   Teve a cabeça decapitada.
   (só se pode decapitar cabeça)

   Os meus filhos são ótimos.
   (aí há duas redundâncias: se digo meus, não preciso dizer os     meus; e, se são meus, é claro que  são  ótimos...)

   Deu para entender? Que bom!

   Até breve.

domingo, 15 de março de 2015

Para mim ou para eu?











                       Para mim ou para eu?


   Ela comprou uma bolsa para eu usar.

   Nessa frase, apesar de o pronome pessoal vir precedido de uma preposição - para -, não é regido por ela. Ele é sujeito do verbo usar, logo deve ser usado o pronome pessoal do caso reto: eu.

   Isso porque "para eu usar" corresponde a "para que eu usasse".

   Há uma regra: usam-se as formas retas dos pronomes mesmo depois de uma preposição, quando o pronome for sujeito do verbo no infinitivo que vem a seguir.

   Assim:

   Não vá sem mim.

   Mas:

   Não vá sem eu consentir (sem que eu consinta). Eu aí é sujeito de consentir.

   Renata e Cecília estão pensando em mim.

   Mas:

   Renata e Cecília estão pensando em eu ir para Houston. Eu aí é sujeito de ir.

   Veja agora:

   Para eu sair de casa, é preciso não estar chovendo.

    Mas:

   Para mim, sair de casa é muito difícil.

   No último período, a vírgula após o pronome indica que ele não é sujeito de viajar.

   Como saber? É só mudar a ordem do período:

   Sair de casa é muito difícil para mim.

   Ficou claro?

   Que bom!

   Até breve!